O Estadão Verifica investigou e concluiu que é fraude um vídeo em que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, parece dizer que está acabando o prazo para resgatar valores esquecidos com o Banco Central do Brasil. O conteúdo orienta usuários do Facebook a clicarem em um botão, fornecerem o número de CPF e seguirem instruções para transferir o saldo para a própria conta via Pix.
"O vídeo foi gerado com inteligência artificial (IA). A ferramenta Hive Moderation, que detecta conteúdos feitos com o uso dessa tecnologia, apontou que 99% do áudio não é autêntico. As imagens são de um vídeo postado originalmente nas redes sociais de Haddad em fevereiro de 2024 (X e Tik Tok). No conteúdo verdadeiro, o ministro alertava sobre o mosquito da dengue", alerta o Estadão.
O conteúdo falso leva a um site que pede o pagamento de uma taxa de R$ 59,90 para a retirada de valores esquecidos. O Banco Central alerta, contudo, que todos os serviços do Serviço de Valores a Receber são totalmente gratuitos.
O Ministério da Fazenda afirmou que “trata-se de conteúdo claramente falso, com visível manipulação feita por Inteligência Artificial”.
O Golpe
O Estadão alerta que a conta “Última Chance”, que postou o vídeo, não é uma página oficial do governo. Ao clicar no botão recomendado no post, o usuário é levado a um site que imita o portal oficial Gov.Br e que pede o número de CPF para “consultar sua indenização”.
Assim que um documento válido é inserido, o usuário é levado a outra página com um vídeo, atribuído falsamente ao Jornal Nacional, que cita um programa governamental inexistente: o “Indeniza Brasil”. A Secretaria de Comunicação Social do governo federal sinalizou que essa marca não existe e que o uso dela indica risgo de golpe financeiro.
"Ao final desse vídeo, o site malicioso apresenta um suposto valor a receber. Para a liberação da quantia, exige que algumas perguntas pessoais sejam respondidas e apresenta um novo vídeo, alegando que pessoas têm indenizações a receber por causa de um vazamento de dados. Em seguida, uma assistente virtual faz perguntas relacionadas aos dados pessoais do usuário e aparece uma mensagem de indenização aprovada. Nesse momento, o usuário é informado que precisa pagar um “imposto” de R$ 59,90 para receber, enfim, o valor. Um novo acesso é solicitado e, em outro site, é fornecida uma chave Pix para o pagamento do falso imposto", relata o Verifica Estadão.
Como realmente funciona o ‘Valores a Receber’
O serviço verdadeiro fornecido pelo governo federal é o Valores a Receber, do Banco Central. Nele, qualquer cidadão pode consultar se ele, sua empresa ou pessoa falecida tem dinheiro esquecido em algum banco, consórcio ou outra instituição financeira. Caso tenha, é possível solicitar de volta o valor.
A consulta é feita apenas no site do Banco Central, por meio de CPF e data de nascimento ou de CNPJ e data de abertura da empresa. Caso haja valores esquecidos, o cidadão é orientado a fazer login com a conta Gov.br, que levará a uma página com outras informações, como a quantia a receber e a partir de qual instituição bancária ou financeira.
Em seguida, pode ser feita a solicitação da devolução selecionando uma das chaves Pix que o cidadão tem cadastrada. O valor será restituído por esse canal em até 12 dias úteis.
A instituição pode entrar em contato pelo telefone ou pelo e-mail indicado para confirmar a identidade do usuário ou tirar dúvidas sobre a forma de devolução, mas o Banco Central orienta nunca fornecer senhas a ninguém. Também não podem ser cobradas taxas ou impostos pelo serviço.
O Banco Central destaca que o único site para se consultar valores e saber como solicitar a devolução deles é o https://valoresareceber.bcb.gov.br
*Com Conteúdo Estadão
Confira vídeo explicando o golpe:
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