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economia Domingo, 13 de Junho de 2021, 13:00 - A | A

Domingo, 13 de Junho de 2021, 13h:00 - A | A

SAINDO DO BURACO

Negociação de dívidas: especialistas apontam bom momento para limpar o nome

Correio Braziliense

- (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)

O rendimento médio dos brasilienses assalariados passou de R$ 4.461, em março do ano passado, para R$ 3.915 no mesmo mês deste ano — queda de 12,2%

 

A crise econômica causada pela pandemia da covid-19 tem impactado fortemente o bolso do trabalhador. No Distrito Federal, o número de desempregados é de 19,6%, totalizando 316 mil pessoas, segundo dados da Pesquisa Emprego e Desemprego (PED), da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Apesar de a quantidade de pessoas empregadas na capital federal ter se mantido estável, o orçamento dos lares brasilienses foi significativamente impactado pela crise financeira consequente à emergência sanitária.

Um dos motivos por trás desse aparente paradoxo pode estar no incentivo à redução de salários e jornadas para manutenção de ocupações, como a medida provisória do governo federal que autorizou os cortes ainda em 2020. Em meio ao cenário negativo, o morador do DF tentou renegociar dívidas, razão pela qual, como explicam especialistas, a quantidade de pessoas físicas inadimplentes no Distrito Federal caiu de 3,1% para 2,5% entre fevereiro de 2020 e 2021.

O rendimento médio dos brasilienses assalariados passou de R$ 4.461, em março do ano passado, para R$ 3.915 no mesmo mês deste ano — queda de 12,2%. Entre os trabalhadores autônomos, a redução foi de 10,6%, passando de R$ 2.129 para R$ 1.903 no mesmo período.

Os assalariados do setor privado perceberam queda semelhante na renda mensal, que passou de R$ 2.385 para R$ 2.137 em um ano, decréscimo de 10,4%. Os funcionários do setor público, por sua vez, tiveram os rendimentos praticamente inalterados durante a crise da covid-19 — os valores passaram de R$ 9.016 para R$ 8.922 entre março de 2020 e 2021, queda de 1%.

É nesse contexto de redução de renda que as dívidas podem surgir com maior força.

Afonso Morais, advogado especialista em redução de crédito, sugere hierarquização de débitos. “É preciso priorizar contas de consumo, como luz, água, condomínio e internet, ainda mais com estudo e trabalho feitos de casa”, pondera. O especialista também destaca a necessidade de organização para evitar o endividamento e, em caso de problemas financeiros, buscar saídas por meio do diálogo. “O primeiro passo é fazer uma planilha com o apanhado de todas as dívidas ativas. Depois, é necessário calcular quanto é a renda atual, se conta com auxílio emergencial ou com seguro-desemprego, por exemplo. Desse valor, a pessoa deve separar de 30% a 40% para negociar com os credores. Não se deve comprometer a renda toda, gastos com alimentação, moradia e transporte, por exemplo, são fixos”, observa Afonso Morais.

A redução do número de inadimplentes parece estranho em um cenário de crises acumuladas, mas pode ser explicado pela revisão de dívidas, esclarece Morais.

“As empresas estão favoráveis à renegociação porque também estão sofrendo com a diminuição dos negócios e faturamentos. A palavra de ordem é renegociar, não cobrar ou ajuizar ação, porque leva à inadimplência e ao pagamento de um só credor, quando o ideal é dividir e acertar aos poucos com todos”, diz o especialista.

O contexto de pandemia pede flexibilização e as empresas estão alongando prazos e diminuindo parcelas. “A ideia é fazer caixa. Hoje até as contas de luz estão sendo parceladas, porque não é uma situação normal. E os acordos feitos agora podem ser revistos daqui a um ano, quando a situação melhorar. As dívidas têm sido menos judicializadas, com foco na negociação amigável, o que é um bom sinal, porque a resolução é mais rápida. Não há certo ou errado, mas a melhor forma para as duas partes ficarem satisfeitas”, analisa o advogado.

Nova roupagem

Há um ditado que diz que nada se cria nem se perde, porque tudo pode ser transformado. Foi com essa mentalidade que Alessandra — nome fictício porque ela pediu para não ser identificada — conseguiu renegociar dívidas acumuladas com quatro credores, no valor de cerca de R$ 50 mil.

“As parcelas dos empréstimos chegaram ao ponto de comprometer meu salário praticamente todo, o que não me deixava quitar os valores com outros credores. A solução que encontrei foi vender meu apartamento e comprar um de menor valor para pagar o que impedia o recebimento do salário na minha conta. Com as outras pessoas para quem eu devia, sentei e conversei. Consegui dividir todas as dívidas em parcelas que cabem no meu orçamento e devo quitar até o ano que vem”, prevê Alessandra.

 

Como renegociar dívidas

» Faça um planejamento e tenha uma reserva financeira. Para os trabalhadores autônomos, os mais afetados pela pandemia, a indicação é guardar de 10 a 12 vezes o valor líquido dos gastos mensais com contas e despesas cotidianas.

» Realizar um diagnóstico financeiro e saber quanto ganha e quanto gasta, incluindo o levantamento das dívidas. As despesas variáveis são a chave do negócio, o dinheiro se vai nos pequenos gastos.

» Quem tem empréstimos deve procurar saber o custo efetivo total, com os juros, não só o valor das parcelas.

» O planejamento também deve buscar alcançar sonhos, de curto, médio e longo prazo. Educação financeira não serve para deixar as pessoas mesquinhas.

» Não basta só anotar os gastos, é preciso mudar a cabeça em relação ao dinheiro. A pandemia foi o maior exemplo da importância de uma reserva financeira. Educação financeira é mais comportamental do que analítica.

» Prestar atenção no tipo de dívida que tem. Cheque especial e cartão de crédito, por exemplo, têm juros muito altos. Nesses casos, é melhor mudar a dívida por uma que tenha taxas menores, como o empréstimo consignado, se tiver a oportunidade.

» Outra alternativa pode ser a portabilidade: procurar outra instituição financeira, não necessariamente um banco tradicional, e renegociar o valor. O novo local compra a dívida com taxas menores e possibilidade de refinanciamento.

Fonte: Rafael Rico, educador financeiro e escritor

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