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conversa da semana Sábado, 15 de Junho de 2024, 07:00 - A | A

Sábado, 15 de Junho de 2024, 07h:00 - A | A

ENTREVISTA DA SEMANA

“Alfabetização na idade certa é pilar fundamental no desenvolvimento infantil”, diz Alan Porto

Secretário de Estado de Educação fala sobre os avanços da alfabetização em Mato Grosso

Redação



 

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O Estado de Mato Grosso passou a ocupar o 11º lugar no Índice de Crianças Alfabetizadas na Idade Certa. O dado foi anunciado pelo Ministério da Educação (MEC). O estado saltou 9 posições, saindo de 20º lugar, apresentando o 3º melhor avanço entre todos os Estados e o DF. O Indicador Criança Alfabetizada foi calculado a partir do alinhamento nacional dos dados apurados pelas avaliações aplicadas pelos Estados em 2023. Para 2024, a meta é atingir 59% de crianças alfabetizadas no estado. Na análise do secretário de Estado de Educação de Mato Grosso, Alan Porto, o Regime de Colaboração entre a União, o Estado e os municípios foi fundamental para se chegar a esse resultado. Ele é o nosso entrevistado da semana.

 

Como o senhor avalia os avanços, nos últimos anos, na alfabetização de crianças na idade certa?

Os avanços conquistados foram por meio de políticas pública do Governo de Mato Grosso, dos professores, e de parceiros como a AMM, Undime-MT e o Grupo GEMTE, só para citar alguns. Alfabetização é a base para uma educação concreta e construtiva, rigorosamente até os 7 anos e 8 meses de idade. Observando essa regra, além de outros aspectos, em 2023 saímos da 20ª para a 11ª posição no ranking nacional e, além disso, apresentou o 3º melhor resultado entre os demais estados e o Distrito Federal. O salto foi de 22% de crianças alfabetizadas na idade certa, em 2021, para 55% em 2023, ultrapassando a meta estipulada pela Seduc que era de 52%. Significa dizer que, será cumprida a meta do plano EducAção 10 Anos de colocar a nossa rede estadual entre as 10 melhores do país no IDEB até 2026 e entre os 5 melhores até 2032.

 

A partir de quando esse quadro começou a melhorar?

A Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso começou a mudar esta história em 2019 e, desde então, os avanços têm sido significativos, com políticas públicas mais efetivas e investimentos na formação de professores, principalmente. A compreensão por parte dos professores alfabetizadores em relação à construção do conhecimento e do processo de aprendizagem foi fundamental para as crianças, pois, é por meio da alfabetização que elas exploram diversas áreas de conhecimento que vão proporcionar formação de qualidade desde a pré-escola e vai influenciar a trajetória delas até o ensino superior.

 

Quais foram os principais desafios enfrentados a partir deste marco que, segundo a Seduc, foi o ano de 2019?

Desenvolvemos programas de formação continuada para professores, aprimoramento dos materiais didáticos e políticas de inclusão para reduzir a desigualdade de acesso à educação. Muitos avanços também foram conquistados como resultado do Regime de Colaboração entre o Estado e os municípios. As gestões municipais entenderam a importância do processo de transformação e, muitas delas, hoje incrementam as suas receitas por meio do ICMS da Educação. Assim, de cada R$ 100,00 de ICMS repassados ao município, R$10,00 são determinados pela qualidade de ensino oferecida na rede municipal de ensino.

 

 

A alfabetização na idade certa é importante para o desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças, além de ser a base para o aprendizado ao longo da vida.

 

 

Outros fatores também foram fundamentais, como o programa Alfabetiza MT?

Certamente. O programa foi lançado em 2021 como ação fundamental para recuperar a alfabetização no pós-pandemia. Identificando as dificuldades dos estudantes de forma personalizada, os professores puderam trabalhar focados e os resultados comprovam que as decisões tomadas pela Seduc foram assertivas. Em 2022, o Alfabetiza MT já havia alcançado todos os municípios. Mais de 25 mil professores receberam formações. Mais de 233 mil estudantes e professores do 1° e 2° anos receberam material didático complementar em 2023 e 2024.

 

Qual a importância da alfabetização na idade certa para o desenvolvimento das crianças?

A alfabetização na idade certa é importante para o desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças, além de ser a base para o aprendizado ao longo da vida. Elas poderão compreender melhor o que foi lido e saber qual é o melhor uso da palavra e o sentido dela. Sem dúvida, é um enriquecimento sem igual, sem contar que é uma forma de desenvolvimento humano e social.

 

Quais são os benefícios de investir na alfabetização de crianças na idade certa?

Contribui muito para a redução da evasão escolar, além da melhoria significativa na qualidade da educação e na formação de cidadãos mais críticos e participativos. Sem contar que, quando essas crianças concluírem o 5º ano na rede municipal e passarem para o 6º ano na rede estadual, estarão muito mais preparadas para lidarem com as tecnologias em sala de aula como as plataformas digitais, Smart TVs e Chromebooks.

 

Como a tecnologia tem contribuído para o processo de alfabetização de crianças na idade certa?

A tecnologia tem sido uma aliada forte no processo de alfabetização, com uso de aplicativos e jogos educativos que tornam o aprendizado mais dinâmico e atrativo para as crianças. Isso vai além dos anos iniciais, quando é feita a alfabetização. Para os estudantes do 5º ao 9º ano, por exemplo, a Seduc implantou um novo recurso por meio de parceria com a Plataforma de jogos gamificadas Matific, que oferece um caminho de aprendizagem personalizado e adaptativo em matemática. O objetivo é potencializar o processo e deixa-lo capaz de tornar o aprendizado mais divertido. Professores e pais também têm acesso a esta ferramenta que permite, entre outras coisas, a intervenção quando necessária.

 

 

Para 2032, repito, a meta é estarmos entre as cinco redes públicas mais bem avaliadas no país.

 

Seria uma aula de matemática mais personalizada?

Exatamente. Nela, o professor poderá personalizar o processo de aprendizagem da matemática de acordo com o nível de cada estudante, proporcionando assim uma educação mais humanizada. Utilizando os mais de 600 planos de aula oferecidos pela plataforma, o professor poderá se inspirar na elaboração do seu planejamento didático, facilitando e otimizando esse processo. Ademais, com os relatórios de desempenho ou acompanhamento gerados pela plataforma na realização das atividades pelos estudantes, o professor contará com uma ferramenta de avaliação personalizada, que o ajudará nas avaliações diagnósticas e somativas.

 

Secretário, há outros investimentos em andamento direcionados ao ensino e aprendizagem nas redes municipais?

Temos muitos investimentos. O mais recente foi de R$ 39,9 milhões direcionado a 580 escolas de 121 município. Quase 26 mil estudantes foram beneficiados com equipamentos tecnológicos de última geração entregues pela Seduc. Foram 17.400 Chromebooks, além de 580 gabinetes de recarga e 1.384 Smart TVs de 65 polegadas, que transformarão as salas de aula com tecnologia de ponta. Além disso, foram entregues 25 mil chips de internet móvel, especialmente para estudantes de baixa renda, para assegurar o acesso contínuo aos recursos educacionais digitais fora da escola. Ao todo, somando as entregas anteriores de chips, a Seduc já contemplou 103.014 estudantes nas duas redes, liberando também recarga mensal automática de 8 GB pelo período de um ano.

 

A Seduc está preparando os estudantes para o próximo passo, a partir do 6º ano já na rede estadual?

Vai além disso. Os resultados de uma educação de qualidade são para toda a vida. Para a Seduc não há divisão entre educação estadual e municipal. A educação é única e queremos que as crianças que passam pelo 1º ao 5º ano chegue à rede estadual familiarizado com as tecnologias educacionais e prontos para lidarem com programas como o Intercâmbio MT no Mundo, Prêmio Alfabetiza MT, Festival de Robótica, as feiras de Ciências, entre outros. Tenho certeza que nossos índices de aprendizagem vão continuar em elevação, pois, os investimentos estão acontecendo. Como resultado, teremos crianças e jovens mais preparados para os desafios da vida.

 

Quais as metas de alfabetização para os próximos anos?

Já estão definidas. Para 2024 será de 59% e, nos anos subsequentes até 2030, 61%, 66%, 70%, 73%, 77% e 80%. Para 2032, repito, a meta é estarmos entre as cinco redes públicas mais bem avaliadas no país.

 

 

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