MATO GROSSO, 17 de Junho de 2024

cotações: DÓLAR (COM) 5,38 / EURO 5,76 / LIBRA 6,82

cidades Quarta-feira, 26 de Maio de 2021, 09:27 - A | A

Quarta-feira, 26 de Maio de 2021, 09h:27 - A | A

TELEVISÃO

Jornalista é demitida da Record e expõe “constrangimento” e “machismo”

Assessoria

Reprodução

1

 

A jornalista e apresentadora Mariana Martins, até então da rede Record em Goiás, publicou vídeo em seu perfil no Instagram falando sobre a demissão sofrida na manhã desta terça-feira (25/5). Ela diz que foi alvo de várias “situações de constrangimento”, pressão psicológica e pressão para que ela mudasse o jeito de ser, de se vestir e de se comportar nas redes sociais. 

“A pressão pela audiência não pode maltratar e nem coagir o funcionário. Eu vivi várias situações de constrangimento em que deixaram claro para mim que queriam me transformar em outra pessoa, numa pessoa que eu não sou. As situações de constrangimento, preconceito e machismo foram inúmeras”, diz Mariana.

Ela, que trabalhou por quase oito anos na TV Anhanguera, afiliada da Rede Globo em Goiás, foi contratada pela Record em março de 2019. Desde então, atuou como apresentadora da edição matutina do Balanço Geral e alega que vinha sofrendo pressões, recentemente, devido à perda de audiência.

A maneira como ela foi pressionada, no entanto, segundo a jornalista, teria extrapolado o campo profissional e partido para o lado pessoal. Ela chega a citar no vídeo o exemplo de uma reunião que teria ocorrido no último dia 4/5, em que postagens dela no Instagram teriam sido expostas para todos que estavam na sala.

Na ocasião, segundo a jornalista, números de audiência foram apresentados, e a Record detectou perdas entre o público de classe C, que é o grande foco da emissora. Com a intenção de recuperar os números perdidos, as pessoas que lideravam a reunião começaram a discutir estratégias. 

“Colocaram nessa reunião várias fotos das minhas redes sociais, me constrangendo de uma forma absurda. Colocaram fotos minhas de biquíni, fotos minhas de viagem, dizendo que eu tinha que me transformar, que eu tinha que transformar o meu Instagram em outro para falar a língua desse público, para chamar as pessoas, porque estava tudo muito bonito. Eu tinha que ser outra. Eu cheguei a ouvir de uma gerente, que é mulher, que o meu jeito de andar não era o certo, que ela achava que eu sensualizava um pouco na hora de falar”, relata.

Diante do tema da discussão, Mariana conta que argumentou que a culpa não seria dela, nem de ninguém. Ela diz que levou o debate para a lado do conteúdo e das reportagens feitas pelo jornalismo da emissora, mas foi em vão.

“O público não vai assistir ao jornal porque a Mariana está usando a calça feia ou bonita, justa ou larga. O que fideliza o público é ele ver a denúncia dele no ar, ele ver um jornalismo imparcial”, expõe. 

Comunicado

A jornalista foi comunicada da demissão na manhã desta terça-feira e, segundo ela, não foi apresentado nenhum motivo. “Mas eu sei quais são os motivos”, diz ela logo no início do vídeo.

A apresentadora diz que não decidiu fazer o vídeo para aparecer, mas para mostrar para as mulheres, especialmente as que fazem parte dos quase 300 mil seguidores que ela possui no Instagram, que não são as roupas que elas usam que as definem.

“No contrato que a gente assina não tem nada que diz que eles podem gerir as nossas redes sociais, porque é a minha vida, é a minha individualidade. Mas eles fazem pressão psicológica com a gente”, afirma.

Metrópoles procurou a Record em Goiás e aguarda um posicionamento sobre o caso. O espaço segue aberto.

 

Nossas notícias em primeira mão para você! Link do grupo MIDIA HOJE: WHATSAPP



Comente esta notícia